Nascí na cidade de Chimoio, província de Manica, no ano da fome (1983), num certo dia do mês de Abril. Sempre gostei de música, e quando criança sofrí influências da música Pop cantada em inglês.
Comecei por imitar os Milli Vanilly, Mc Hamer, Vanila Ice e Michael Jackson.
A paixão pelo Hip Hop começa por volta de 96.
Concluí o ensino primário na Inglaterra e isso contribuiu para que me apaixonasse ainda mais pela música Pop, pois esta era a música que mais se ouvia naquela região. Uma das consequências da minha mudança para o “velho continente” foi ter ganho o hábito de acordar, pegar numa cassete, meter no aparelho, carregar no play e pôr-me a cantar. Outro hábito foram as rodas no intervalo das aulas onde com os colegas mostrávamos o nosso talento. Mas enquanto todos os outros dançavam, eu cantava.
Sempre tive o sonho de um dia tornar-me num cantor profissional e ter seguidores da minha música.
Em 1994 voltei para Moçambique e fui viver na zona do Museu onde tive muitos amigos que já sofriam influências dos cantores norte-americanos.
Em 1996 o meu companheiro e quase irmão Félix a.k.a Carbhono, ofereceu-me um presente: nada mais, nada menos do que uma cassete (K7) do rapper 2Pac Shakur, e foi ali que tudo começou a mudar...
Alguns meses depois “descubro” o rapper da West Coast Snoop Dog e apaixono-me pelas músicas que ele interpretava, razão pela qual em todas as festas chamavam-me para imitá-lo. Todos aplaudiam e gostavam..
Em 1998 comecei a imitar as letras de Method Man dos Wu Tang Clan e daí ele tornou-se no meu rapper favorito, sempre que havia algum battle na zona ou mesmo fora do bairro eu cuspia letras do Method.
Algum tempo depois conhecí Young Rizla, Chi-Nico e Shot B.
Foi o Shot B que me incentivou a escrever as minhas próprias letras, e partir daí concentrei-me em escrever aquilo que vinha do meu interior.
Um ano depois conheço o Mastha Bad que fazia dupla com Carbhono, e eles convidaram-me para fazer parte da malta e fundaram a B.O.C. Volvido algum tempo entramos em estúdio, mas as nossas músicas eram somente para serem escutadas em casa ou com amigos. Mas como o meu sonho era muito mais forte, pedí ajuda ao Shot B e decidí ir a rádio fazer um freestyle para sair do anonimato. Fui várias vezes rejeitado pelos locutores porque não fazia parte dos rappers considerados da velha geração em Moz (Rappers Unit, Broxen Clan, O.I.R, Family G, etc). Muitas vezes fui banido e desprezado, mas sempre lutei para sair do anonimato.
Em 2000 conhecí o rapper Denny OG que fazia parte dos “Auto Squad”, grupo que fazia sucesso na altura. O Denny OG também vivia na minha zona, ele já ouvia falar dum tal de Trez Agah mas não o conhecia pessoalmente. Num dos primeiros encontros pediu para que eu dropasse um verso, não hesitei e mostrei os meus dotes.
O nigga ficou de boca aberta, e ali mesmo convidou-me para fazer parte do grupo “Tropas do Futuro”. Também faziam parte do grupo rappers como Duas Caras, Sem Paus, Laggost, N.Star, F.D, J.P, Don P, G.Short, Damost, Young Lu, Same Boogie, RJ Da Devil. Fui apresentado aos membros e mais uma vez pediram para que mandasse uma das minhas bombas. Sem hesitar cuspí 16 barras e deixei o Sem Paus maluco da vida.
Sem Paus convidoume a ir com ele à rádio mandar um freestyle, estava muito inseguro porque era a minha 1ª vez na rádio. Porém correu tudo bem.
Fui aperfeiçoando as minhas técnicas e alguns meses depois fiz o 2º drop na rádio com Young Lu e Same Boogie.
2001 ano em que muitos rappers locais mostraram o seu talento nos grandes shows das tardes de domingo, o palco era perfeito e o local mais que perfeito, pois todos os Mcs seja da velha ou nova escola faziam desfilar a sua classe no Tchova.
Depois de algumas actuações no Tchova e na S.O.S fui convidado para fazer parte da Track Records onde fiquei alguns meses e lancei algumas músicas colectivas, mas sentí que tinha muito mais para dar do que fazer músicas em grupo.
Sofrí algumas influências do rapper Suky a.k.a Perry Lee que fazia parte dos Alize Camp, que sempre me motivou a seguir uma carreira à solo.
Depois de uma longa caminhada por vários grupos, sentí que era a altura certa para seguir uma carreira à solo.
Sempre fui fã de Mcs como Duas Caras e Sem Paus, por isso quando me fizeram o convite para me juntar aos Gigantes do Rap Moçambicano não pensei duas vezes.
Tive algumas aparições nos shows da dupla mais badalada da altura (Duas&Sem), mas o dia marcante foi quando Sem e o Duas deram-me a oportunidade de dropar 5 minutos num beat produzido pelo Sem Paus. Levantei todo o Coconuts com as minhas letras e comecei a ganhar mais respeito pelos niggas.
Estava tudo pronto para seguir a carreira que tanto ambicionei. Fui lançando singles que até hoje são bem conhecidos do pessoal que curte rap em Moçambique׃ “Por Ti”, “Bangalala” (que fez bastante sucesso e até hoje passa nas estações de rádio mesmo sendo uma musica lançada em 2005), “Bangalala Remix” (com a participação de 7 Mcs locais), “Let′s Go”, “Sixties Bar”, “Free Style do Dia” e “Meu Estilo”.
Hoje, fruto do meu trabalho e persistência, sou considerado pela crítica um dos melhores street rappers de Moçambique.
É um caso para dizer que valeu a pena...
“Eles não sabem, e nem sequer sonham, que o sonho comanda a vida.”
Website
www.gpro.co.mz
Influences
2Pac, Snoop Dog, Method Man